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segunda-feira, 1 de julho de 2013

A CERÂMICA DE SANTARÉM




        A CERÂMICA DE SANTARÉM

        Velha de séculos, a cerâmica chamada “dos tapajós” somente começou a ser conhecida e estudada pelos arqueólogos e etnologistas há pouco mais de quarenta anos. Por que isso?
        Nem os primeiros missionários ou viajantes fizeram referências a ela, a não ser vagas notícias de ídolos pintados que julgavam “de pedra”, como Heriarte, padre João Daniel e outros. Quando Pedro Teixeira visitou os tapajós, em 1626, adquiriu desses índios algumas “galantes esteiras e outras curiosidades”. Estariam incluídas destas últimas algumas peças da depois famosa cerâmica? Ninguém sabe, pois o cronista é parco de informações. Diz, apenas: OUTRAS CURIOSIDADES.
        Padre Bettendorf também nada revela sobre o assunto; os seus sucessores de roupeta não são menos omissos. Mais tarde, numerosos cientistas de renome que perlustraram a região, como Spix, Von Martius, Wallace, Bates, Spruce e muitos outros, não disseram uma palavra quanto à maravilhosa arte oleira dos Tupaiús. Por que?
        De 1870 a 1874, o professor americano Charles Friederic Hart, comissionado pelo governo brasileiro, percorreu a Amazônia por várias vezes em estudos e pesquisas. Esteve em Santarém por algum tempo, visitou demoradamente Taperinha, sítio ou fazenda do Barão de Santarém, dentro do Ituqui, e ali encontrou uma coleção de fragmentos de vasos de barro e machados de pedra apanhados pelo também americano Romul John Rhome, um dos colonos emigrados dos Estados Unidos em 1869, que se localizara naquela fazenda como sócio do Barão. Esses objetos foram encontrados nas “terras pretas” do referido sítio, e, mais tarde, através do professor Hart, foram ofertados ou vendidos ao Museu Nacional. Em setembro de 1883, Hart, já no seu país de origem, escrevia um artigo intitulado “Antiguidades Brasileiras”, na revista “Novo Mundo”, no qual se refere novamente à cerâmica de Taperinha e às urnas funerárias de Marajó. Termina pedindo às pessoas que no Brasil possuírem ou encontrarem tais objetos de barro e outras “relíquias indígenas” que lhe enviem para estudos, ao endereço da Cornell Universit – Ithaca – New York.  Também pede respostas a uma série de indagações sobre a procedência dos objetos, material empregado, modo de confeccionar, se fabricados a mão ou por meio de forma, etc.
        Hart nada diz quanto à cerâmica de Santarém. Não a conhecia, provavelmente ignorava a sua existência, tal como os seus precursores. É que ela, ainda jazia sob o aterro dos séculos. Os fragmentos que os garotos mocorongos descobriam esgaravatando quintais e monturos, com os quais brincavam chamando-os: “caretas dos índios”, ainda não tinham a importância que depois adquiriram. Ninguém se apercebia das “caretas” nem havia estudioso ou curioso que se dedicasse a juntar os fragmentos, unindo-os, adaptando-os uns aos outros até formarem uma peça completa a pottery dos velhos Tupaiús ou dos seus antecessores de maloca. Ninguém pensava em tal coisa! Quem seria suficientemente maluco para tratar de bobagens?
        Em 1908, no Museu Goeldi, de Belém, frente a três ou quatro vitrinas contendo urnas funerárias de Marajó, apareciam duas estantes com toscos objetos de barro oriundos de índios das Guianas, do Araguaia e dos Uapês. Não havia uma única peça, mesmo fragmentada, da cerâmica que depois se tornou discutida e apreciada pelos cientistas mundiais – a cerâmica de Santarém do Pará.
        Frederico Barata, o conhecido jornalista que por muitos anos dirigiu o diário “A Província do Pará”, foi um apaixonado colecionador e estudioso da cerâmica santarense, o primeiro, parece, a tratar o assunto com carinho e inegável proficiência. Publicou vários opúsculos fartamente ilustrados com as mais lindas e esquisitas peças da famosa arte oleira dos índios locais, acompanhadas de estudos e conclusões realmente interessantes. De uma de suas publicações que tem por título “A Arte Oleira dos Tapajó” (Barata seguia o sistema de Nimuendaju quanto à grafia dos nomes das tribos, isto é, não usava o plural: os tapajó, os guarani, os mundurucu, etc.) transcrevo o trecho a seguir (págs. 316, 317 e 318):

   “ A cerâmica dos tapajó era tão pouco conhecida, mesmo em tempos recentes, que até 1823 não se tinha a menor idéia da forma completa de qualquer dos seus vasos típicos. O Vol. VI dos Anais do Museu Nacional (1895) quase todo dedicado à cerâmica amazônica, é paupérrimo de informações sobre a de Santarém, à qual fazem vagas referências apenas Hart, que a denomina “louça de Taperinha” ou “dos moradores do alto”, Ferreira Pena e Ladislau Neto, este último reproduzindo equivocadamente um fragmento santarenense que descreve e classifica como do Marajó. A coleção Rhome, incorporada ao Museu Nacional, é fraquíssima e mal dá uma noção da monumental variedade e das formas da louça dos Tapajó, pois não possui uma única peça inteira característica.
Foi em 1923 que Curt Nimuendaju, trabalhando para o Museu de Gottenborg, revelou ao mundo científico, coletando peças completas e grandes fragmentos, o ineditismo e a beleza dessa soberba arte primitiva.
   Helen Palmatary, repetindo Linné, descreve a descoberta da cerâmica de Santarém por Nimuendaju como meramente casual. Segundo esses autores, em conseqüência de um temporal, a água da chuva, com forte poder erosivo, deixou a descoberto considerável porção de terrenos altos, pondo à mostra fragmentos estilizados e às vezes lindamente desenhados. Afortunadamente – acrescentam – estava em Santarém, no momento, Curt Nimuendaju e, graças aos seus esforços, muito desse material foi salvo.
   Tal versão não é rigorosamente exata. Desmentiu-a em palestra comigo, em agosto de 1945, no Rio de Janeiro, o próprio Curt Nimuendaju. Tivera ele notícia, por um padre alemão, seu amigo (do qual infelizmente não guardei o nome), de que em Santarém as crianças apareciam freqüentemente brincando com pedaços de cerâmica indígena, aos quais chamavam “caretas” e que encontravam na cidade. Ficou interessado e logo que lhe foi possível dirigiu-se a Santarém, especialmente para estudar a cerâmica que lhe fora descrita como originalíssima e diferente de todas as conhecidas. Verificou logo a sua importância e iniciou pesquisas para as quais, entretanto, não encontrou o menor apoio.
   Contou-me na mesma ocasião Curt Nimuendaju que, certo dia, tendo localizado na Aldeia um terreno cheio de fragmentos, começou uma escavação e achou indícios de boa cerâmica. Na manhã imediata, voltando ao local para prosseguir no trabalho, encontrou lá um português, residente nas vizinhanças, que tudo inutilizara cavando ativamente. Irritado, perguntou-lhe por que estava fazendo aquilo e obteve esta resposta: - Estou procurando o tesouro; se o Sr. Pode achá-lo eu também posso!...
   O buraco estava enorme e a cerâmica perdida. Com esse exemplo, quis Nimuendaju demonstrar-me o quanto é difícil preservar as nossas riquezas arqueológicas, dada a incompreenção absoluta do homem do interior, que, ou tem medo dos objetos dos índios e os destrói, ou por eles tem desprezo.

        Realmente, não foi por acaso que Nimuendaju descobriu a cerâmica de Santarém. Alemão de nascimento viera para o Brasil ainda moço e logo se naturalizara. Foi trabalhar no Museu Paulista de onde seguiu para Mato Grosso com o fim de estudar a religião, usos e costumes dos guaranis. Numa das malocas desses silvícolas encontrou boa acolhida, sobretudo da parte do tuxaua que o “adaptou”. Em conseqüência da “opção” o jovem alemão que se chamava Curt Unkel, passou a usar o nome do chefe guarani – Nimuendaju – Curt Nimuendaju, com o qual se tornou célebre no mundo da ciência. Depois de residir alguns anos entre os guaranis, cuja língua falava fluentemente, assim como o tupi e outros dialetos derivados, e ali, ao que se dizia, casado com uma índia da tribo Nimuendaju percorreu quase todo o Brasil indígena a estudar os silvícolas do que publicou mais de vinte trabalhos.
        Em uma das suas passagens por Santarém, entrou em contacto com os padres Prelazia, alemães como ele, dos quais recebeu informações e viu em suas mãos variados fragmentos de cerâmica que um dos religiosos colecionava, adquirindo-os dos garotos da terra a troco de estampas de santinhos ou de alguns tostões. Entusiasmado com o que soubera e ainda mais com o que vira, o sábio atirou-se para a zona da antiga aldeia dos índios e ali conseguiu adquirir de pessoas que os haviam encontrado, alguns vasos quase perfeitos. Aproveitando a época invernosa, fez escavações em diversos pontos e teve a sorte de coletar excelente material para os estudos que o fizeram pioneiro da arqueologia tapajônica.
        É inexato que Nimuendaju não tivesse encontrado apoio, pelo menos quanto às pesquisas em Santarém. O governo do município prestigiou o seu trabalho, dando-lhe, inclusive, um funcionário por companheiro de excursão pelo bairro da Aldeia, exatamente para aplanar “casos” que pudessem surgir como os proprietários dos terrenos a serem escavados. Posso afirmar este fato porque naquela época era eu secretário da municipalidade e mantive cordiais relações com o etnólogo teuto-brasileiro, apesar da sua escassa comunicabilidade, pois era exatamente retraído e de poucas falas... Tomei conhecimento do atrito que, logo de início, tivera com o português que também “queria achar o tesouro...” Chamava-se este, Antônio Simões Corrêa e tinha uma pequena mercearia na rua Benjamim Constant às proximidades do extinto Teatro Vitória. Aliás, um lusitano bonachão, alegre e anedoteiro.
        Vejamos agora o motivo de somente tão tarde ter sido “descoberta” a cerâmica santarena.
        Do lado sul da cidade de Santarém havia um planalto em aclive, tendo por topo a colina denominada “Vira-Sebo”, constituído de regular vegetação com grandes árvores de permeio. Esse pequeno bosque impedia que a erosão tomasse maior vulto. Embora não as tolhendo completamente, pelo menos evitara as enxurradas pluviais rumo à cidade. Com o aumento da “urbs”, de 1910 em diante, houve abertura de novas ruas e travessas, com o conseqüente desmatamento da vegetação protetora. Então, Santarém ficou exposta ao flagelo das torrentes pluviais que iam abrindo valas ao longo das vias públicas, sobretudo das travessas, transformando-as em trincheiras, para tormento dos poderes municipais que se viam impotentes para solucionar os problemas que as chuvas anualmente armavam contra a cidade e mais especialmente contra os bairros da Aldeia e da Prainha.
        Houve intendentes ou prefeitos que nada faziam de novo pela terra. A sua missão era fechar valas que as enxurradas abriam. Não havia dinheiro para mais!... Por isso mesmo o povo os apodava de “Intendentes tapa-buracos”...
        Pois foi em conseqüência dessas valas, paradoxalmente prejudiciais para a cidade, mas de muita utilidade para a Ciência, que alguns transeuntes curiosos começaram a arrecadar e guardar lindas peças que afloravam ao solo: vasos esquisitos e recipientes exóticos e desconhecidos, apresentando complicada e bizarra ornamentação. Foi quando apareceu Curt Nimuendaju, e a cerâmica de Santarém surgiu para o mundo.
        Logo depois, chegaram outros “descobridores de tesouros”. Robert Brown e sua esposa Rose, residindo num dos hotéis locais, pesquisaram, com afinco, durante várias semanas, indo pessoalmente dirigir as escavações ao longo do bairro dos antigos índios tapajós e adquirindo de terceiros as peças das quais tinham notícias, conseguiram coletar cerca de 9.300 peças de boa cerâmica entre vasos em perfeitas ou quase perfeitas condições e centenas de fragmentos preciosos para estudos. Essa esplêndida coleção foi muito bem vendida à Fundação Brasil Central, no Rio de Janeiro. Atualmente não sei onde se encontra. Talvez no Museu Nacional.
        O padre americano John Meie, adido à Prelazia de Santarém, andou também fazendo escavações e pesquisas que não prosseguiu por ter falecido em meio da sua empresa. Outro americano, Charles Townsend, agrônomo da Companhia Ford do Brasil, colecionou algumas peças, especializando-se, porém em machados de pedra e cachimbos.
        Frederico Barata, já citado acima, seguiu as pegadas dos Brown, dedicando-se a escavações tendo também reunido bonita coleção da cerâmica santarense, despendendo, no trabalho, muitos anos e muito dinheiro.
        Outro colecionador foi Artur Liebold, comerciante alemão da cidade, que chegou a reunir valiosos espécimes, não somente dos tapajós, como de outros índios do Amazonas. Sua viúva vendeu a coleção ao Dr. Ubirajara Bentes de Souza que, com carinho e incrível paciência, continuou a aumentar a coleção, sendo hoje (1965) o maior possuidor de cerâmica e objetos indígenas de várias procedências. Verdadeiro museu valendo muitos milhões de cruzeiros.
        Mas a descoberta da cerâmica de Santarém trouxe consigo outro empolgante problema que até hoje os cientistas ainda não conseguiram solucionar: quais seriam, donde viriam, os oleiros ou oleiras da velha Tupaiú? E como ainda não puderam esclarecer o mistério, põem-se a arquitetar conjecturas, cálculos, hipóteses, não poucas vezes descambando para o delírio da pura fantasia.
        Querem alguns que os artistas oleiras da Tapajônia, como os marajoaras e os cunanienses, da região da Guiana brasileira, fossem remanescentes de um ou de vários povos que de outras terras, de outras civilizações, quiçá de outros continentes, espontaneamente ou forçados por qualquer circunstância imperiosa, emigraram e vieram rolando através dos séculos até às plagas amazônicas onde se localizaram e acabaram de se extinguir, absorvidos pelos índios brasileiros que, muito mal e imprecisamente lhes copiaram os costumes (alguns) e as artes que logo foram negligenciadas e começaram a involuir.
        Daí não ser encontrada a melhor cerâmica senão a regular profundidade, coberta por detritos e fragmentos grosseiros, sem o menor vestígio de arte, e que não podem absolutamente pertencer aos oleiros primitivos das terras tapajônicas. O mesmo acontece com Pacoval – Marajó, segundo revela Raimundo Morais, onde as mais artísticas urnas estão localizadas por baixo de outras que não apresentam nenhuma qualidade artística.
        O notável arqueólogo patrício, Angione Costa, na sua “Indiologia”, comenta a página 199:

   “A arqueologia brasileira havia de ser naturalmente uma arqueologia muito pobre, por isso é que ela se compõe de material constituído por tribos culturalmente muito inferiores, situadas como estavam no período da pedra polida. Faziam cerâmica para as utilidades comuns da vida, por isso mesmo marcando-a com a rusticidade própria dos grupos humanos primários. Mas, por um milagre que a arqueologia brasileira ainda não explicou bem, nesta cerâmica despida de preocupação de arte, fazem exceção às lindas florações oleiras de Marajó, Santarém e Cunani, atribuídas a grupos indígenas emigrados em época pouco anterior à conquista européia, seguramente no período de lutas que se travaram entre queschuas e aimarás, antes da subordinação desses povos à casta Inca, que dominou imperialmente pelas terras limítrofes da Colômbia, do Equador, Peru, Bolívia, norte do Chile e noroeste argentino”.

        E à página 201, do mesmo livro, continua Angione Costa:

   “Fora do Marajó, a arte arqueológica brasileira desenvolveu-se em belos vasos de cerâmica trabalhada com acentuado gosto artístico nas terras tapajônicas de Santarém. A arte indígena deu ali algumas das suas melhores florações, criando tipos de acentuada beleza de forma que lembram no desenho morfológico peças da arqueologia oriental. As peças arqueológicas de Santarém, são, em sua totalidade, de vasos de diferentes serventias, construídos com a preocupação do desenho zoomorfo, e que produzem lindos efeitos extraídos dos elementos de composição animal. Sáurios, quelônios, pássaros e outras espécies, são utilizados como modelos da cerâmica santarena, cuja moldagem toma a estrutura do animal em vez de utilizá-lo apenas, como efeito pictórico. Domina, nesta cerâmica, a preocupação da forma de preferência à beleza da cor. Em rigor, pode dizer-se que o índio de Santarém, autor das peças ali encontradas era, antes de tudo, um escultor, que sentia a beleza da forma, com prejuízo dos tons e das cores... Este breve estudo sobre a cerâmica artística às origens dos ceramistas. E embora não tenhamos ainda bases suficientes para afirmá-lo, já é possível dizer que a cerâmica do Marajó se prende à da península de Yucatan, de preferência à de Chirique, na América Central, enquanto a de Santarém se aproxima de certos modelos mayas”.

        O ilustrado escritor paulista Oliveira Ribeiro Neto, em artigo publicado na Revista da Academia Paulista de Letras, nº 65, sob o título “A Cerâmica Popular Brasileira”, assim discorre, à pág. 129:

   “As cerâmicas de Marajó e de Santarém, Pré-cabralinas, com a forma de sua estilização e a importância da sua escultura, vêm sendo consideradas exceções gloriosas na arte barrista dos índios brasileiros. Aproximam-se muito, na forma e na composição, das cerâmicas incas e dos huacos que podem ser vistas nos fabulosos museus etnológicos de Lima, de Cuzco, de Quito, de Trujilo, de La Paz, e denotam a influência remota e inexplicável, pelo menos por enquanto, de algumas cerâmicas primitivas que vi nos museus de Atenas e de Londres, e de Algumas peças de barro egípcias do Cairo e de Luxor”.

        Li algures, em páginas de escritor cujo nome não me ocorre no momento, que a cerâmica de Santarém veio de artistas egressos da civilização maia, que, por sua vez, tinham raízes na civilização Atlântida, não tanto lendária como parece...Ora, eis até onde pode ir a fantasia – devemos então concluir que os primitivos ceramistas de Tupaiú eram descendentes dos filhos da Atlântida!... Vejam só...
        Há, entretanto, coincidências que nos fazem pensar. Por exemplo: os tapajós, tais como os maias, faziam do milho a sua principal alimentação e dele também faziam as suas bebidas – “que não usam tanto a mandioca como as demais tribos” (Heriarte).   
        Aquela lenda da Mandioca, contada por Couto de Magalhães em “O Selvagem” – que se passara no Tapajós e tinha por heroína a jovem MANI, de cujo corpo nascera à famosa planta; os maias tiveram uma cidade, fundada no século XIV ou XV, que também se chamava MANI. Próxima de Chichen-Itzá, outra grande cidade dos maias (C. W. Ceran – “Deuses”, Túmulos e Sábios”), havia o “Poço sagrado” ou “dos Sacrifícios”, onde morava o deus-serpente, que também era o deus da chuva. “Quando a seca imperava, os sacerdotes e o povo seguiam em procissão por uma larga estrada até o poço sagrado a fim de apaziguarem a cólera do deus da chuva. Levavam consigo as vítimas que seriam oferecidas ao deus: jovens donzelas e moços. E depois de cerimônias solenes, as donzelas eram empurradas para o poço, tão profundo que nunca uma vítima voltou à superfície”. Próximo de Santarém refere o mesmo Couto Magalhães, havia e há, o lago chamado Juá, que tem quase a mesma lenda do poço de Chichen-Itzá. Só que ao Juá eram levadas as jovens que deveriam ser sacrificadas ou não, conforme a sua integridade física... ao deus dos peixes, a cobra-grande, Mboia.
        Isso tudo, porém, talvez não passe de mera coincidência e nada prova a favor ou contra a hipótese.
        E o problema empolgante continua insolucionado, a desafiar os mestres da etnologia e da arqueologia.
 

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